Reforma Tributária e digitalização fiscal: por que o futuro da sua empresa depende disso? – Jornal Contábil

A digitalização fiscal deixou de ser um tópico restrito aos departamentos de tecnologia e contabilidade para se tornar uma prioridade estratégica na mesa de quem empreende no Brasil. 

Em um cenário onde o governo avança rapidamente no cruzamento de dados em tempo real, empresas que ainda operam sob processos manuais enfrentam riscos crescentes de multas e perda de competitividade.

Dados do Banco Mundial revelam o tamanho do desafio: empresas brasileiras gastam, em média, 1.501 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais. Na prática, esse tempo é subtraído de áreas vitais como vendas e inovação, sendo consumido por burocracia e correções de erros que poderiam ser evitados com a automação.

Conformidade digital

A digitalização fiscal consiste em substituir a gestão baseada em papéis e planilhas isoladas por processos integrados e automatizados. O objetivo é garantir que cada transação — da venda ao pagamento de impostos — seja registrada e validada eletronicamente.

Este movimento ganhou força com a consolidação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), que unificou a recepção de informações contábeis e fiscais no país. Documentos como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a NFC-e (para o varejo) e a NFS-e (para serviços) tornaram-se o padrão obrigatório, exigindo que até mesmo o Microempreendedor Individual (MEI) se adapte às plataformas nacionais de emissão.

Com a migração das informações para o ambiente digital, os órgãos fiscalizadores alteraram sua metodologia de trabalho. O modelo de auditoria presencial por amostragem deu lugar ao cruzamento eletrônico de dados.

Neste novo formato, os sistemas da Receita Federal comparam as informações enviadas por diferentes agentes em segundos. Inconsistências entre o que foi vendido, o que foi declarado e o imposto efetivamente pago geram notificações automáticas. 

Para as empresas, o risco de erro na origem — como a classificação incorreta de mercadorias (NCM) — torna-se uma vulnerabilidade que pode custar caro.

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Reforma Tributária e tecnologia

A relação entre a digitalização e a Reforma Tributária é inseparável. O novo modelo de tributação do consumo, instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023, pressupõe uma arrecadação baseada em dados granulares e transparentes.

Especialistas apontam que a tecnologia, especificamente os sistemas de gestão integrada (ERPs), atua como o alicerce dessa transição. Ao centralizar vendas, estoque e tributos, essas ferramentas garantem que os dados “nasçam” corretos.

Riscos para quem não agir agora

Para as organizações que resistem à modernização, os riscos ultrapassam a esfera financeira. Além das multas por atraso ou omissão, há uma clara perda de competitividade. 

Empresas que não possuem processos digitais reagem mais lentamente às mudanças legislativas e gastam mais recursos operacionais para manter a conformidade mínima, ficando em desvantagem perante concorrentes mais ágeis.

A transição para o modelo digital é um caminho sem volta. Organizar os processos internos, integrar as áreas financeira e contábil e adotar ferramentas de automação são os passos fundamentais para que o empreendedor brasileiro consiga navegar pelo complexo sistema tributário nacional com segurança jurídica e previsibilidade.

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Alerta! Preenchimento de IBS e CBS nas notas fiscais já é obrigatório para empresas – Jornal Contábil

As empresas brasileiras entraram oficialmente em uma fase de “conformidade educativa” com o avanço da Reforma Tributária sobre o consumo. 

De acordo com o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025, o preenchimento das informações relativas à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos documentos fiscais já é uma exigência legal, mesmo que o recolhimento dos tributos e a aplicação de sanções ainda não tenham começado.

A medida visa forçar a adaptação tecnológica e operacional do mercado antes que o regime sancionatório entre em vigor. Especialistas alertam que o período não deve ser interpretado como facultativo: a obrigatoriedade de alimentar os sistemas com os novos dados tributários é imediata.

Teste para o contribuinte

A ausência de punições neste momento funciona como uma “janela de aprendizado” estratégica. O objetivo do governo é permitir que as empresas testem seus sistemas de emissão de notas e se familiarizem com conceitos complexos, como a não cumulatividade plena e o crédito financeiro amplo, sem o risco de autuações imediatas.

Para o setor produtivo, essa fase é vista como uma oportunidade para identificar impactos em margens de lucro, revisar contratos e alinhar os departamentos de TI, jurídico e fiscal. “Ignorar esta etapa agora é acumular riscos para o futuro. 

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Gatilho para o fim da “folga” fiscal

Diferente de outros prazos da Reforma, o fim da flexibilização das penalidades não possui uma data fixa no calendário. O Ato Conjunto estabelece uma regra de transição variável: o período educativo se encerra oficialmente no primeiro dia do quarto mês após a publicação dos regulamentos definitivos do IBS e da CBS.

Como esses regulamentos ainda não foram editados, o mercado vive uma contagem regressiva condicionada. Se os textos forem publicados este mês, por exemplo, o rigor das multas começaria a valer em quatro meses. 

Por isso, a orientação é de vigilância constante sobre as publicações da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

O que as empresas devem fazer agora:

  • Atualização de Sistemas: Ajustar os softwares de emissão de NF-e para suportar os novos campos de IBS/CBS;
  • Saneamento de Dados: Revisar a classificação fiscal de produtos e serviços sob a nova ótica da Reforma;
  • Treinamento de Equipe: Capacitar os departamentos contábeis para a segregação de informações por entes federativos (Estados e Municípios);
  • Monitoramento Normativo: Acompanhar diariamente o Diário Oficial para identificar a publicação dos regulamentos que darão início à fase de multas.

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Malha fina na folha de pagamento: por que o cruzamento de dados não perdoa falhas no eSocial? – Jornal Contábil

Com a modernização das ferramentas de fiscalização digital, o foco do Fisco brasileiro voltou-se para um detalhe que muitas vezes passa despercebido pelos departamentos de Recursos Humanos: a classificação das verbas isentas e não tributáveis na folha de pagamento. 

O uso indevido de códigos no eSocial para mascarar rendimentos tributáveis tem sido o gatilho para autuações que podem comprometer o caixa das organizações.

Diferente do que ocorria no passado, quando a fiscalização dependia de visitas presenciais, hoje o cruzamento de dados é instantâneo. Se uma empresa classifica uma verba como “indenizatória” para não recolher INSS ou FGTS, mas a natureza jurídica daquela parcela é salarial, o sistema acende um alerta vermelho para os auditores da Receita Federal.

O risco da “maquiagem” de rubricas

Muitas empresas, na tentativa de reduzir a carga tributária sobre a folha, utilizam benefícios como auxílio-alimentação, ajuda de custo ou reembolsos de forma genérica. No entanto, a legislação é rígida sobre o que pode ou não ser considerado isento.

O erro mais comum é a falta de lastro documental. Não basta dizer que uma verba é isenta; é preciso provar, por meio de normas internas, acordos coletivos ou comprovantes de despesas, que aquela parcela não tem natureza de contraprestação pelo trabalho. Caso a Receita entenda que houve simulação, a empresa é obrigada a recolher os tributos retroativos com juros e multas que podem chegar a 150% do valor devido.

Impacto da Reforma Tributária e eSocial

A digitalização fiscal exige que os dados informados no eSocial estejam em total consonância com a Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf) e com a DCTFWeb. 

Qualquer divergência entre essas declarações gera um bloqueio automático na emissão da Certidão Negativa de Débitos (CND), impedindo a empresa de participar de licitações ou obter empréstimos bancários.

Além disso, a transição para o novo modelo de Reforma Tributária reforça a necessidade de dados íntegros. O governo tem investido em inteligência artificial para identificar padrões de evasão fiscal, tornando quase nula a margem para interpretações subjetivas que não estejam amparadas por lei.

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Como evitar autuações

A recomendação para os gestores é realizar uma auditoria preventiva nas rubricas da folha de pagamento. O processo envolve revisar a Tabela de Rubricas do eSocial e verificar se a incidência tributária de cada verba está de acordo com a legislação vigente e as recentes decisões dos tribunais superiores (STF e STJ).

Estar em conformidade não é apenas uma questão de evitar multas, mas de garantir a segurança jurídica do negócio. Em um ambiente de fiscalização 100% digital, a transparência nos dados da folha de pagamento tornou-se o principal escudo contra o Fisco.

Sinais de alerta na sua folha de pagamento

  • Pagamentos fixos como “ajuda de custo”: Valores mensais sem comprovação de despesas reais (notas ou recibos).
  • Rubricas genéricas: Verbas com nomes vagos classificados como isentas sem fundamentação jurídica clara.
  • Prêmios sem política de metas: Pagamento de bônus recorrentes sem documentação que comprove o desempenho atingido.
  • Alimentação em dinheiro: Pagamento de auxílio em espécie sem o devido recolhimento tributário (alvo frequente de autuações).
  • Divergência eSocial x Contabilidade: Dados da folha que não batem com os registros contábeis da empresa.

Se você identificou algum destes pontos, sua empresa pode estar gerando um passivo tributário automático perante a Receita Federal. Cuidado!

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CFC: prazo para pagar anuidade com desconto termina dia 28 – Jornal Contábil

A anuidade do exercício de 2026 está disponível para pagamento desde 1º de janeiro. Aos profissionais e organizações contábeis que ainda não cumpriram o compromisso, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) oferece um desconto de 5% para o pagamento integral do valor durante o mês de fevereiro, até o dia 28. A dedução está prevista na Resolução nº 1.774, de 13 de novembro de 2025

Além do benefício por pontualidade, os profissionais que aderiram ao Domicílio Eletrônico (D-e) entre 1º de janeiro e 5 de dezembro de 2025 podem contar com abatimentos adicionais, desde que a quitação ocorra em cota única. 

A medida visa incentivar a digitalização da comunicação entre o conselho e seus registrados.

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Incentivo aos novos profissionais

A regulamentação para 2026 traz um escalonamento de descontos focado no tempo de registro do profissional, facilitando a regularização de quem ingressou recentemente no mercado.

Aqueles que solicitarem o registro profissional ao longo de 2026 terão a maior redução, com 75% de desconto no valor da anuidade. Para os profissionais registrados em 2025, o abatimento é de 50%, enquanto os registros efetuados em 2024 garantem uma redução de 25%. 

Em todos os casos, o benefício é exclusivo para pagamentos realizados sem parcelamento.

Confira abaixo os valores com os descontos aplicados:

tabela anuidade fev / Imagem cfc

Regularidade profissional

O Conselho Federal de Contabilidade reforça que o pagamento da anuidade é uma obrigação legal essencial para a manutenção da regularidade do registro junto ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) de cada jurisdição. 

Estar em dia com o fisco profissional é condição indispensável para o exercício legal da contabilidade e para a assinatura de balanços e documentos técnicos.

A orientação para os escritórios e profissionais autônomos é consultar o portal do CRC de sua região para verificar os valores atualizados e as guias de pagamento. 

O planejamento antecipado permite aproveitar as faixas de desconto e assegura a organização financeira das empresas contábeis no início do ano.

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5 dicas para melhorar a gestão financeira do seu negócio – Jornal Contábil

Em termos práticos, a gestão financeira é o motor estratégico que impulsiona o crescimento sustentável de uma organização, focando na maximização dos lucros e no controle rigoroso de custos. Essa centralidade justifica por que as finanças são frequentemente descritas como a “espinha dorsal” de qualquer negócio; afinal, toda decisão estratégica depende da viabilidade dos números.

Nesse cenário, o papel do contador evoluiu. Muito além de um simples administrador de tributos e taxas, este profissional tornou-se um parceiro estratégico. Por meio da assessoria contábil, é possível monitorar transações com precisão, identificar brechas legais para a redução da carga tributária e apontar caminhos para expandir a margem de lucro.

Peso da Má Gestão

A negligência com o setor financeiro é, estatisticamente, o maior risco para o empreendedorismo. Dados do IBGE revelam uma realidade alarmante: 48% das pequenas e médias empresas encerram suas atividades em até três anos devido a falhas na administração financeira.

Para o micro e pequeno empresário, que investe capital, tempo e expectativas no próprio sonho, o fechamento precoce vai além do prejuízo contábil. É uma interrupção que gera impactos profundos na saúde mental e no bem-estar pessoal. Portanto, organizar as finanças não é apenas uma tarefa burocrática, mas uma medida de proteção ao patrimônio e à qualidade de vida de quem empreende.

Atualmente, ha milhões de pessoas que empreendem ou desejam empreender. Não à toa, “Ter o próprio negócio” é o terceiro maior sonho dos brasileiros, perdendo apenas para “Viajar pelo Brasil” e “Comprar a casa própria”, segundo estudo realizado pelo Sebrae e Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).

O empreendedor deve ter em mente que adotar uma gestão financeira e tributária adequadas, devidamente monitorada por um especialista contador, é um investimento com um excelente retorno, ou seja, significa ver sua empresa prosperar, estar em dia com o fisco, sem dívidas, e com boa margem de lucro.

Veja a seguir cinco ações essenciais aos micro e pequenos empreendedores, na manutenção da saúde financeira dos negócios. Confira!

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5 dicas para melhorar a gestão financeira

1) Mantenha o controle de entradas e saídas

O profissional recomenda o registro de toda transação de recebimento e pagamento, desde o menor valor, por mais ínfimo que seja. É preciso ter um bom controle de entradas e saídas, para um amplo entendimento de onde o dinheiro está sendo aplicado e, caso necessário, sejam feitos ajustes.

2) Separe finanças pessoais e empresariais

Esse é um problema crônico nas empresas e muitas delas fecham por esse descontrole. É importante haver a separação de contas, com a manutenção de registros bancários e contábeis transparentes.

3) Controle o fluxo de caixa

Acompanhe permanentemente o fluxo de caixa, ou seja, a movimentação financeira da empresa. Esse controle ajuda na análise de recursos disponíveis para pagamento de despesas imediatas, por exemplo. Problemas no fluxo de caixa trazem junto os problemas de liquidez, o que dificulta a quitação de dívidas ou compras e investimentos importantes.

4) Estabeleça um orçamento

Planeje despesas e receitas, estabeleça metas e previsões, por meio de um orçamento, que pode ser mensal ou trimestral. É muito importante ter essa meta, pois ajuda a evitar surpresas indesejáveis como, por exemplo, não ter provisão para fazer um pagamento.

5) Contrate gestão financeira e tributária

Ao micro e pequeno empreendedor é recomendável se cercar de instrumentos que auxiliem na tomada de decisões. Há ferramentas muito úteis, como softwares de gestão financeira, que otimizam esse controle.

Mas nada substitui o conhecimento de um profissional contador, que pode identificar inconsistências e recomendar ajustes, bem como prestar orientação tributária, ajudando a reduzir custos com impostos, gerando economia e aumento do lucro.

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A Linguagem dos Números: Entenda Como 7 Países enxergam a Contabilidade de modo diferente! – Jornal Contábil

Embora a matemática seja universal, a contabilidade está longe de ser uma ciência exata e uniforme ao redor do globo. Em 2026, com a consolidação de blocos econômicos e a digitalização acelerada, fica claro que o “balanço” de uma empresa diz coisas diferentes dependendo da bandeira que está hasteada à porta.

Enquanto uns usam a contabilidade para atrair Wall Street, outros a utilizam como um braço do fisco ou uma ferramenta de bem-estar social. Confira como o propósito contábil muda drasticamente em 7 potências globais:

1. Estados Unidos: O Império do Investidor

Nos EUA, o objetivo central é o fornecimento de informações para o mercado de capitais. Regida pelo US GAAP, a contabilidade é feita sob medida para acionistas e investidores. O foco é a utilidade da decisão: o lucro precisa ser reportado da forma mais transparente possível para que o investidor saiba se deve comprar ou vender ações.

  • Exemplo: O tratamento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Enquanto muitos países são cautelosos, empresas americanas de tecnologia (como as gigantes do Vale do Silício) focam na transparência absoluta sobre quanto estão “queimando” de caixa para gerar lucros futuros, priorizando o Fair Value (Valor Justo) para ativos financeiros.

2. Alemanha: A Fortaleza do Credor

Diferente dos EUA, a contabilidade alemã é historicamente conservadora. O principal objetivo é a proteção de credores (bancos) e o cumprimento de regras fiscais. Pelo princípio da prudência, as empresas alemãs tendem a subestimar lucros e ativos para garantir que haverá reservas suficientes para pagar empréstimos em tempos de crise.

  • Exemplo: Reservas Ocultas. É comum que empresas alemãs (as famosas Mittelstand) utilizem avaliações de ativos extremamente conservadoras. Se um imóvel da empresa vale 10 milhões de euros, eles podem mantê-lo no 

3. Japão (A Longo Prazo e a Harmonia Digital)

No Japão, a contabilidade é uma extensão da conformidade legal e cultural. Com uma forte aversão à incerteza, o sistema japonês prioriza o registro detalhado e o cumprimento estrito das normas governamentais. O objetivo não é apenas informar o investidor, mas manter a estabilidade das relações entre empresas (Keiretsu) e o Estado.

  • Exemplo: Participações Cruzadas. Uma fabricante de carros e uma produtora de aço possuem ações uma da outra. A contabilidade não foca em quem lucrou mais no trimestre, mas na manutenção dessas participações como prova de fidelidade comercial, muitas vezes ignorando flutuações de curto prazo que desesperariam um investidor americano.

4. Brasil: A Transição Consultiva e o Fisco

Historicamente voltada para o controle tributário, a contabilidade brasileira vive uma metamorfose em 2026. Com a implementação prática da Reforma Tributária, o objetivo divide-se entre a conformidade fiscal rigorosa e a contabilidade consultiva, onde o foco é a sobrevivência do caixa e o planejamento estratégico em um ambiente de alta complexidade normativa.

  • Exemplo: Créditos Tributários. Com a transição da Reforma Tributária em 2026, o grande desafio contábil brasileiro é o cálculo do “crédito acumulado”. Uma empresa pode ter um lucro contábil gigante, mas um caixa apertado porque o lucro está “preso” em impostos a recuperar (IBS/CBS). O contador brasileiro atua como um “tradutor de impostos” para o empresário.

5. China: O Instrumento de Gestão Estatal

Na China, apesar da adoção de padrões similares ao IFRS, o objetivo último é o alinhamento com as metas econômicas nacionais. A contabilidade serve como uma ferramenta de controle para o Estado avaliar o desempenho das empresas em relação aos planos de 5 em 5 anos, especialmente em setores estratégicos.

  • Exemplo: Subsídios Estatais. Em empresas de energia solar ou veículos elétricos, a contabilidade detalha rigorosamente como os subsídios do governo foram aplicados. O objetivo não é apenas mostrar lucro, mas provar ao Partido que as metas de desenvolvimento nacional estão sendo atingidas. Se os números “desafiam” a meta estatal, eles são revisados sob outra ótica.

6. Reino Unido: A Primazia da Essência sobre a Forma

O modelo britânico é o berço do conceito “True and Fair View” (Visão Verdadeira e Justa). O objetivo é garantir que a realidade econômica da transação prevaleça sobre a formalidade legal. É uma contabilidade baseada em princípios e julgamento profissional, voltada para a prestação de contas (stewardship) aos acionistas.

  • Exemplo: Substância sobre a Forma. Se uma empresa britânica faz um contrato de aluguel que, na prática, parece uma compra financiada, ela deve contabilizar como compra. Eles não aceitam “truques” contratuais para esconder dívidas. O julgamento do auditor no Reino Unido tem mais peso do que a letra fria da lei em muitos casos.

7. França: O Rigor do Plano Nacional

A contabilidade francesa é marcada pelo Plan Comptable Général (PCG). O objetivo é a uniformidade estatística e fiscal. O governo francês utiliza os dados contábeis para gerar estatísticas nacionais precisas, garantindo que todas as empresas falem exatamente a mesma “gramática” contábil para facilitar a arrecadação e o controle estatal.

  • Exemplo: O Plano de Contas Rígido. Todo lançamento contábil deve seguir um número de conta específico ditado pelo governo (ex: Conta 60 para compras, Conta 70 para vendas). Isso permite que o governo francês aperte um botão e saiba exatamente quanto o setor de luxo gastou com matéria-prima em tempo real, facilitando políticas públicas rápidas.

Entender que a contabilidade muda de sentido conforme a fronteira que se cruza é o primeiro passo para uma gestão globalizada. Em um mundo onde o lucro é interpretado de formas tão distintas — seja para satisfazer o fisco francês, o investidor americano ou o banco alemão —, ter um parceiro que domine essas nuances é o que separa empresas que apenas sobrevivem daquelas que dominam o mercado.

No Brasil de 2026, com a complexidade da transição tributária e as novas exigências de transparência, a sua contabilidade não pode ser apenas um “mal necessário”. Ela precisa ser a bússola do seu crescimento.

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Por Lucas de Sá Pereira, contador https://contadorlucaspereira.shop/, e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram @contadorlucaspereira

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Escrituração Fiscal: como preparar a empresa para o ano-teste da Reforma – Jornal Contábil

A Reforma Tributária sobre o consumo, amparada pela substituição do antigo modelo declaratório por um sistema de apuração assistida, marca o fim de uma era para a contabilidade e a gestão financeira no Brasil. 

Mais do que uma simples troca de siglas, a transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) altera a espinha dorsal de como as empresas registram suas operações e interagem com a autoridade fiscal.

O novo modelo baseia-se no conceito de que o documento fiscal eletrônico é a própria base da apuração. Os dados das notas fiscais alimentam, quase instantaneamente, um “motor” público de cálculo que gera uma proposta de guia para o contribuinte. 

Essa mudança retira do contribuinte a exclusividade de declarar o que deve, transferindo ao Estado o papel de sugerir o débito tributário com base na movimentação digital.

Desafio da Transição 

O cronograma estabelecido impõe às empresas um regime de “dupla jornada” fiscal. Em 2026, inicia-se o chamado ano-teste, com alíquotas simbólicas de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS). 

Neste período, o foco principal é a conformidade técnica: os novos tributos devem ser destacados obrigatoriamente nas notas fiscais para testar a integração dos sistemas de gestão (ERP).

A partir de 2027, ocorre a extinção definitiva de PIS e Cofins, mas o ICMS e o ISS terão uma saída gradual que se estenderá até 2032. Durante esse hiato de seis anos, as corporações precisarão conviver com dois mundos: a manutenção da Escrituração Fiscal Digital (EFD-ICMS/IPI) para os impostos “legados” e a adesão aos novos fluxos da apuração assistida para o IBS e a CBS. 

Especialistas alertam que essa coexistência exigirá processos de auditoria interna mais robustos para evitar a bitributação ou a perda de créditos.

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Split Payment

Talvez a mudança mais transformadora seja o split payment. Pela primeira vez, o imposto será segregado no momento do pagamento da mercadoria ou serviço. 

Quando uma venda é liquidada via Pix, cartão ou boleto, o sistema financeiro retém automaticamente a parcela devida ao Fisco, repassando ao fornecedor apenas o valor líquido.

Essa dinâmica elimina o chamado “financiamento involuntário”, no qual as empresas utilizavam o valor dos impostos retidos no caixa como capital de giro até a data do vencimento. 

Com a retenção na fonte, a necessidade de liquidez imediata cresce significativamente, exigindo que as tesourarias recalculem seus ciclos financeiros e renegociem prazos com fornecedores e clientes, visto que o dinheiro disponível para investimento diário sofrerá redução.

Cadastro como centro do risco fiscal

A Reforma também eleva a importância da classificação de mercadorias. Como o novo sistema prevê regimes diferenciados para a cesta básica, saúde e educação baseados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), um erro de cadastro deixará de ser apenas uma falha formal para se tornar um erro direto de cálculo no imposto retido.

A inteligência de dados passa a ser a ferramenta central da advocacia preventiva e da contabilidade consultiva. O documento fiscal eletrônico torna-se a “fonte da verdade”, e a conciliação diária entre o faturamento, o financeiro e o portal do Fisco será a única forma de evitar inconsistências que podem travar o aproveitamento de créditos ou gerar cobranças automáticas. 

O futuro da escrituração, portanto, deixa de ser o registro do passado para se tornar o monitoramento rigoroso do presente.

Prevenção e estratégia

Em última análise, a transição do modelo declaratório para a apuração assistida redefine o papel da gestão tributária nas empresas. A integração entre documentos fiscais precisos e rotinas de conciliação diária torna-se a única via para reduzir riscos e custos de conformidade. 

No curto prazo, o desafio concentra-se na adaptação técnica de 2026; contudo, a longo prazo, a sobrevivência competitiva dependerá da capacidade de transformar dados fiscais em ferramentas preditivas, consolidando uma contabilidade mais preventiva e estratégica.

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Dinheiro na conta: Caixa libera FGTS retido. Veja se você recebe hoje! – Jornal Contábil

O calendário de pagamentos da Caixa Econômica Federal traz um alento importante para o bolso dos brasileiros neste mês. Já está em vigor a segunda fase de liberação dos saldos retidos do FGTS, uma medida que visa corrigir e agilizar o acesso ao dinheiro de quem teve contratos de trabalho encerrados até o dia 12 de fevereiro.

Ao todo, 822.559 trabalhadores estão sendo beneficiados nesta nova janela de saques, que busca esgotar os valores remanescentes previstos pela Medida Provisória vigente. 

Vale lembrar que a primeira etapa desta iniciativa foi massiva, distribuindo cerca de R$ 3,8 bilhões para um grupo de 14,1 milhões de profissionais. Agora, o foco se volta para a regularização total desses montantes, garantindo que o trabalhador possa movimentar seu fundo de garantia de forma simplificada por meio dos canais digitais do banco.

O direito ao resgate não se limita apenas a quem foi demitido sem justa causa. O acesso aos recursos também é garantido para profissionais que se aposentaram recentemente, casos de rescisão por acordo formal, término de contrato por tempo determinado ou falência da empresa. 

Além disso, a lei prevê a liberação em situações de necessidade urgente, como diagnósticos de doenças graves, desastres naturais em municípios com calamidade reconhecida e para o uso na compra da casa própria.

Canais de consulta e tecnologia

Para evitar filas nas agências, a recomendação principal é o uso da tecnologia. A consulta ao saldo exato e às contas disponíveis pode ocorrer de forma imediata pelo aplicativo FGTS, disponível para smartphones. 

Ao acessar a plataforma com CPF e senha, o trabalhador consegue visualizar o extrato completo e verificar se há valores esquecidos de contratos antigos. Além do app, o Internet Banking da Caixa e a central telefônica 111 permanecem como canais auxiliares de verificação.

O processo de solicitação foi simplificado para o modelo digital. Dentro do próprio aplicativo, o usuário deve selecionar a opção de saque, indicar o motivo da liberação e anexar as fotos dos documentos exigidos. Após a validação dos dados, o dinheiro pode ser transferido para qualquer conta bancária indicada pelo beneficiário, sem custo adicional.

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Documentação e prazos de pagamento

Embora o processo seja ágil, a organização dos documentos é fundamental para evitar negativas. É necessário ter em mãos um documento oficial com foto, CPF, Carteira de Trabalho e o número do PIS/Pasep. Dependendo do motivo da retirada, a Caixa pode solicitar documentos complementares, como o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT), laudos médicos ou comprovantes de residência em casos de calamidade.

Quanto ao tempo de espera, o banco trabalha com prazos distintos. Para as rescisões contratuais, o pagamento costuma ser efetuado em até cinco dias úteis após a validação da documentação. 

Já no caso de aposentados, a liberação ocorre logo após a confirmação do benefício junto ao INSS. Para quem optou pelo saque-aniversário, o cronograma segue o mês de nascimento do trabalhador, conforme a tabela anual vigente.

O que fazer em caso de negativa

Caso o pedido de saque seja indeferido, o trabalhador não deve desanimar. Na maioria das vezes, o problema reside em divergências cadastrais ou documentos ilegíveis enviados pelo aplicativo. 

A orientação é revisar os dados, atualizar o cadastro e, se o erro persistir, procurar uma agência física para solicitar uma reanálise técnica do pedido.

É direito do cidadão registrar um recurso caso entenda que todos os requisitos legais foram devidamente preenchidos.

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Receita Saúde vira regra e prazo para prestação de contas está no fim – Jornal Contábil

Médicos, dentistas, psicólogos e demais profissionais de saúde que atuam como pessoa física devem ficar atentos ao calendário fiscal. Termina no dia 28 de fevereiro de 2026 o prazo final para a emissão e regularização do Recibo Eletrônico de Serviços de Saúde (Receita Saúde) referente a todos os atendimentos realizados ao longo do ano passado.

A medida marca o primeiro ciclo completo após a extinção definitiva dos recibos em papel, que deixaram de ter validade oficial em 1º de janeiro de 2025. 

O novo sistema eletrônico foi implementado pela Receita Federal para aumentar a transparência e facilitar o cruzamento de dados, permitindo que as despesas médicas sejam pré-preenchidas e validadas automaticamente na Declaração do Imposto de Renda (DIRPF).

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Prazo para ajustes retroativos

Embora a recomendação seja a emissão imediata após cada consulta, a legislação permite que o profissional registre o documento de forma retroativa até o último dia útil de fevereiro do ano seguinte à prestação do serviço. 

Na prática, isso significa que esta é a última oportunidade para o profissional lançar no sistema os atendimentos de 2025 que, por ventura, ainda não foram processados.

Após o fechamento dessa janela, em 1º de março, o sistema não aceitará mais registros retroativos para o ano-calendário de 2025. A ausência desses dados pode levar tanto o profissional quanto o paciente direto para a “malha fina”, já que a Receita Federal utiliza o Receita Saúde como a principal ferramenta de prova para deduções de saúde.

Fim do papel e fiscalização

A transição para o formato digital visa combater fraudes e reduzir o volume de documentos físicos que os contribuintes precisavam guardar por anos. Com o Receita Saúde, a informação é transmitida em tempo real para a base de dados do governo.

A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e a própria Receita Federal orientam que os profissionais façam um pente-fino em seus registros financeiros e agendas de 2025. A verificação antecipada é crucial para evitar inconsistências que gerem multas ou a necessidade de prestar esclarecimentos presenciais ao fisco.

Para os pacientes, a orientação é conferir, no momento da declaração do IR, se os valores informados pelo profissional no sistema eletrônico coincidem com o que foi efetivamente pago, garantindo uma restituição sem sobressaltos.

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PGFN prorroga prazo de transação tributária com descontos de até 100% em multas e juros – Jornal Contábil

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) anunciou oficialmente a prorrogação do Edital nº 11/2025, uma medida estratégica que amplia o fôlego para contribuintes em débito com a União. 

O programa de transação tributária oferece condições facilitadas para a regularização de dívidas, com benefícios que podem alcançar a isenção total sobre os valores acumulados de juros, multas e encargos legais.

Agora, as dívidas podem ser regularizadas até 29 de maio deste ano e o motivo de estender o prazo visa permitir que um número maior de pessoas físicas e jurídicas possa aderir à modalidade de transação por adesão.

Este meio tem se mostrado uma ferramenta eficaz para a recuperação de créditos inscritos em dívida ativa e para a redução da litigiosidade entre o fisco e o contribuinte.

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Condições de pagamento e benefícios

O edital foca em oferecer condições diferenciadas conforme a capacidade de pagamento do devedor. Entre os principais atrativos está a possibilidade de parcelamento de longo prazo e a aplicação de descontos significativos, que são calculados sobre os acréscimos legais da dívida, preservando o valor principal devido.

Para Microempreendedores Individuais, há descontos de até 50% em dívidas de até 60 salários mínimos que estejam inscritas há mais de um ano. 

Para os contribuintes que se enquadram nos critérios de vulnerabilidade ou que possuem débitos considerados de difícil recuperação, os descontos podem chegar a 100% dos juros e multas, respeitando-se o limite máximo de redução permitido pela legislação para o valor total da dívida.

Todavia, o desconto máximo não pode ser maior que 65% do valor da dívida, e é limitado pelo valor principal. Esse limite pode ser de 70% para pessoa física, MEI, ME, EPP, Santas Casas de Misericórdia, sociedades cooperativas e outras organizações da sociedade civil, instituições de ensino, empresário ou sociedade empresária em recuperação judicial.

Quem pode participar

O programa é voltado para todos os contribuintes que possuem débitos inscritos em dívida ativa da União até 01 de novembro de 2025. 

O processo de adesão ocorre de forma totalmente digital, através do Portal Regularize, a plataforma oficial de serviços da PGFN.  Clicar em “Negociar Dívida”, em seguida em “Acesso ao Sistema de Negociações” e, por fim,  “Menu Capacidade de Pagamento”.

A Procuradoria destaca que a transação não é apenas uma oportunidade de parcelamento, mas um mecanismo de justiça fiscal que permite ao cidadão e às empresas retomarem a regularidade perante o Estado, facilitando a obtenção de certidões negativas e o acesso ao crédito.

A PGFN reforça que a regularização antecipada evita a continuidade de atos de cobrança forçada, como o protesto de certidões e a penhora de bens.

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